A Arrifana é uma vila e freguesia portuguesa do concelho de Santa Maria da Feira, com 5,32 km² de área e 6 544 habitantes (2001). Densidade: 1 230,1 hab/km².
Numa bela tarde de sábado do Verão de 1974, estavam, como de costume, na Sª Celeste cerca de 25 colegas, a jogar cartas e matrecos, quando repentinamente o Gomes se lembrou que devíamos ir jogar à bola para a praia.Dito e feito, apesar da enorme dificuldade em transporte lá fomos nós, uns em cima dos outros, nos automóveis disponíveis na altura e alguns de motorizada.Assim continuamos por diversos sábados, até que o Gomes deu a ideia de que poderíamos discutir um campeonato de trabalhadores (INATEL) ou seja o campeonato do Instituto Nacional de Aproveitamento de Tempos Livres.Aproveitando essa mesma ideia, começamos a disputar na época 75/76 o campeonato do INATEL, se bem me lembro na equipa do primeiro jogo oficial do M.F.C., em Pigeiros, jogaram: Armando, Rufino Caetano, Rufino Almeida, Hernâni, Quim do Guiso, Litos , Cândido (já falecido), Armando (Bonanza), Pedro Machieira, Mingos Machieira, Nel Marques, Fernando Escaravelho, Castro, Lima, Zé Lino e Jaime Gomes. Na altura, jogávamos nós com camisolas amarelas (clicar aqui para ver imagem), com os números das camisolas feitos por nós mesmos (cujos moldes ainda hoje existem) e cosidos ás camisolas pela Maria Augusta, esposa do nosso guarda redes da altura, Armando, que nos fez os calções pretos com sarja comprada por mim. Nesses nossos primeiros jogos, em que o nosso reduto era em Pigeiros pagávamos 150$00 (actuais 0.75€) pelo aluguer de campo. A primeira época que disputamos no INATEL, fizemo-lo com o nome de Casa do Povo Sul Feira (A).Disputámos o campeonato por mais algumas épocas, até que conseguimos comprar umas camisolas pretas com mangas compridas que eram bem quentinhas, mas quando chovia não podíamos com elas tão encharcadas que ficavam, devido a serem tão grossas. Imagine-se que, em dias de muita chuva, as mangas chegavam quase aos joelhos, tão esticadas que ficavam pela absorção da água. Para as nossas deslocações mais longas tínhamos que pedir favores a quem tinha automóvel, o que era pouco vulgar na ocasião, e até de táxi chegamos a ter que ir, sacrificando as nossas carteiras. Nos nossos treinos, que eram realizados no largo onde hoje se encontram as escolas Básica e Pré-primária de Manhôce, treinávamos só a condição física, pois não haviam condições para mais, e duche cada um tomava em sua casa. Já na década de 80, o Arlindo Guiso criou o nosso emblema, que se perpetuou até aos dias de hoje, e que respeitamos com muito orgulho. Entretanto, mudamos o nosso campo de jogos para o de Milheirós de Poiares e começamos a treinar, de vez em quando e a meio da semana, com uma ou outra equipa que nos facultava o seu campo. Começamos também a ter um pouco de dinheiro, conseguido com a venda de rifas, o que nos ia assegurando uma relativa sobrevivência... Chegamos a ficar apurados para uma fase final distrital, sendo o campeonato disputado na altura numa só divisão. Começamos a crescer como equipa, com mais experiência, pois os jogadores, eram obrigatoriamente, em simultâneo, directores, o que lhes fazia sentir as dificuldades do clube e lutar por ele. Quando começou a haver primeira e segunda divisão distrital, ficamos no escalão secundário, conseguindo vencer o título de campeões de série volvidas poucas épocas, subindo ao escalão principal, no qual só permanecemos uma época, voltando a baixar. Mas, na década de 90 já começamos a ser uma verdadeira equipa...Com mais traquejo, fomos campeões distritais da 2ª divisão de Aveiro e subindo mais uma vez ao escalão principal, da qual voltamos ao escalão secundário no ano época seguinte. Na tentativa de criar fundos a nível financeiro, conseguimos implantar um Totoloto Clandestino (que tivemos que terminar, pois fomos acusados), que chegou a dar algum dinheiro, o que nos foi dando possibilidades de treino uma vez por semana.Entretanto conseguimos ter apoios financeiros e/ou a nível de material desportivo de algumas empresas e industriais que jamais os esqueceremos: Rilei , Pélindo, Silva & Ferreira, Feley, Tavar's, Rosa Sousa & Amorim Lda e Carlos Sousa, sendo este último uma das pessoas mais queridas ao nosso clube, pelo apoio incondicional, também a nível político-social, que nos tem prestado, desde então, até aos dias de hoje.Na época de 1999/2000 voltamos à 1ª Divisão, baixando ao 2º escalão, consecutivamente, tal como em épocas anteriores.Em 2001/2002 disputamos a 2ª Divisão, e pensávamos nós já termos um parque próprio, o que ainda não foi possível, mas pensamos que já vemos uma pequena luz ao fundo do túnel. Já temos boas condições de treino para os nossos atletas (apesar de o fazermos, tal como os jogos, no parque desportivo de Fornos, por aluguer), bons equipamentos e um equilíbrio financeiro para disputarmos o nosso campeonato sem sobressaltos, graças a ajudas da Junta de Freguesia de Arrifana, Câmara Municipal da Feira, amigos do M.F.C. e também pela quotização dos associados, que actualmente são aproximadamente 170 e que têm as quotas em dia graças ao Sr. Manuel (Salazar), que é o um grande símbolo do nosso clube, e que tem a árdua tarefa de todos os meses fazer a cobrança. Na época que actualmente decorre, tentaremos mais uma vez a subida ao escalão principal distrital da INATEL... Será no ano de 2002 que vamos conseguir a nossa tão desejada sede?...Para finalizar, deixo aqui a minha palavra de apreço para todos aqueles que ainda se encontram ao serviço da colectividade, após 27 anos de amor, carinho e dedicação por esta. * Actual Presidente da Direcção, membro fundador do Manhôce F.C., tendo já feito de tudo um pouco pelo clube, desde jogador, treinador... mas sempre membro da Direcção do clube, sendo um dos principais responsáveis da sobrevivência do Manhôce F.C. ao longo destes 27 anos.